Por Roberto Caldas (*)
As denominações religiosas, sem exceção até
então conhecida, propugnam pela imortalidade da alma como um dos seus
princípios em comum. Afinal seria inútil o empenho em aprender uma ética
espiritual sem que se estabelecesse a sobrevivência depois da morte como uma
possibilidade que motivasse o aprendizado. Sem tal sobrevida a ética trataria
de cidadania, ecologia, mas não encontraria razão para se definir uma concepção
espiritual.
Podemos
afirmar que todos os religiosos do mundo têm uma ideia a respeito dos destinos
do espírito depois de vencida a etapa da existência carnal. Essa ideia, no
entanto depende dos conteúdos doutrinários que tiveram a oportunidade de
aprender em contato com a fundamentação de seus grupamentos. Seguramente cada
um vai buscar um alinhamento da sua necessidade interior com os preceitos
ensinados nos diversos eventos espirituais e nas obras publicadas a respeito,
de forma que cada pessoa se sinta em mais completa harmonia com os pensamentos
e orientações. De toda forma é importante que se tenha em mente que cada um vai
ficar vinculado àquela fundamentação que consiga atender aos anseios
individuais, incluídos os aspectos familiares, culturais, intelectuais.
A
Doutrina Espírita reformulou a ideia da imortalidade ao incluir nesse contexto,
além do testemunho do próprio morto através de médiuns, os conceitos de
perispírito, regiões e cidades espirituais. Dessa maneira ficou declarado que o
mundo espiritual não se tratava de uma área de desfile de espectros ou de seres
travestidos em lençóis, mas as pessoas depois da morte permanecem com a forma
humana preferindo aquela da última encarnação. Os amigos se encontram, os
desafetos, se quiserem, podem se afastar, os vínculos verdadeiros se
incrementam e aqueles artificiais se desfazem. Essa visão indica que a
realidade da Terra é uma cópia da matriz que se encontra no mundo espiritual.
Essa
referência de imortalidade trazida pelo Espiritismo parece estar se validando
na mente das pessoas pela crescente aceitação presente no mercado editorial e na
veiculação cada vez maior através da mídia. Nos encontros sociais percebe-se
que expressões, até então só utilizadas nas casas espíritas, são faladas com
naturalidade por pessoas que se confessam adeptas de outros pensamentos
religiosos.
Convivendo
nesse mundo tão plural e aberto precisamos observar com clareza que o mais
importante é termos a certeza de que a revelação dos Espíritos promotores da
codificação espírita é universal. Saber-se imortal permite ao ser espiritual
aprender lições que o qualificam para enfrentar os desafios da reforma moral e
torná-lo melhor, e isso é o que verdadeiramente importa numa existência no
corpo físico. Saber como se dá a imortalidade é algo que se aprende a qualquer
momento, mesmo que seja depois da morte, não tem pressa, um dia chega e o mundo
espiritual não sofre com essa espera.
Aqueles
que conseguem enxergar a vida sob a perspectiva da continuidade do existir
devem se sentir convidados à transformação de suas histórias, para o grande
abraço com a imortalidade, assumindo o compromisso de tornar esse mundo, em que
vivemos no momento, mais pacificado. Chegaremos ao mundo espiritual da forma
que deixarmos o corpo físico.
¹ editorial do programa Antena Espírita de 02.06.2013.
(*) integrante da equipe do programa Antena Espírita e voluntário do C.E. Grão de Mostarda.
O Espiritismo ao comprovar a realidade da vida espiritual, recicla os valores vigentes no mundo, propiciando ao Homem uma nova maneira de relacionar-se com o meio. Belo texto!
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